5 de janeiro de 2016

Da favela ao Mundo

O início no surf foi aos quatro anos, na praia da Enseada, que fica próxima à Comunidade da Vila Baiana, uma das regiões mais carentes da Cidade. “Meu pai, meu tio, meu irmão, meu primeiro, todos me incentivaram bastante. Eu morava numa favela e sempre pegava prancha para surfar. Meu pai começou a me levar quando tinha quatro anos e aos seis já ia surfar com a minha bike até o Maluf (Pitangueiras) e minha mãe ia me acompanhando. Quando não podia, ia o meu pai”, lembra.
Victor Bernardo / Foto Cinthia Paranhos
“Todo mundo me olhava, um menino tão pequeno com uma prancha debaixo do braço, de bicicleta. Deviam achar estranho, mas não viam que meu pai estava atrás, de carro. Me seguindo para ver se estava tudo certo”, conta Victor, que competiu pela primeira vez ainda aos seis anos, na categoria petit do Circuito Guarujaense, por indicação de Ademir Silva. “Foi no Tombo, mar grande, aqueles dias storm, tempo fechado. Tomei uma vaca, um caldo e saí da água antes da bateria acabar, com medo do mar”, lembra.

Aos oito anos, por indicação de Alcino Pirata e observação do técnico Paulo Kid (que o acompanha até hoje), ingressou na equipe Hang Loose. “Infelizmente saí. A vida é assim, tem de abrir mão de algumas coisas para acontecerem outras”, afirmou o surfista, que através do surf conseguiu melhorar a vida da família. “Hoje me mudei para o Tombo, ao lado da família do Kareca, da Shine, meu patrocinador de pranchas”, ressalta. Já Deivid Silva foi um talento desde as categorias de base, garantindo títulos paulistas e brasileiros. No Mundial QS de 2015 terminou em 24º lugar. Venceu a etapa 6000 em Florianópolis e foi vice em Pantin, na Espanha. Victor acaba de ingressar na equipe Billabong mundial. O contrato foi assinado em pleno Havaí.

Por Fábio Maradei

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