27 de outubro de 2015

Al Hunt destaca a força brasileira

Se tem alguém que conhece cada detalhe do Circuito Mundial de Surf e pode falar com propriedade da evolução dos brasileiros no Tour, esse é o australiano Al Hunt. Sem dúvida, o mais veterano entre os dirigentes, hoje ele ocupa o cargo de coordenador do Tour, um cargo mais brando, diante do que já passou. Mesmo assim, importante. Continua fazendo as contas e projeções dos atletas que ingressarão no WCT e sempre está em contato com todos os escritórios regionais da World Surf League (WSL). Na sua trajetória são quase 40 anos, entre juiz, head judge, tour manager, sempre muito respeitado pelos atletas. Começou ainda em 1976, na antiga IPS – International Professional Surfers e, desde 1986, frequenta as praias brasileiras, nas etapas do Circuito. “Fora os pioneiros Pepê (Lopes), (Ricardo) Bocão etc, quando viemos pela primeira vez, para o campeonato da Joaquina, em 1986, não eram muitos surfistas com talento mundial, mas já tinha muita gente surfando nas praias. Depois, veio a geração do Flávio Padaratz e Fábio Gouveia e eles já eram do nível Top-10, mas o Brasil ainda não conseguia chegar no topo. E agora tem um número sem limites de jovens brasileiros com talento para ser campeões”, comenta.
Foto Arquivo Pessoal Al Hunt / Divulgação
Ele destaca que o extenso litoral com ondas ajuda muito para essa evolução. “Acho que esse aspecto do freesurf ajuda muito no nível de estratégia das competições. É só olhar para os resultados em qualquer campeonato que você vai ver brasileiros dominando”, afirma Al Hunt, também destacando a união dos atletas como um impulso a mais. “Os brasileiros se apoiam muito. Se um atleta perder, ele fica até o final para dar suporte aos outros que continuam na competição. Se um Americano perder, por exemplo, ele já vai embora. Isso é fundamental”, argumenta. Aos 65 anos, Al Hunt aprendeu a surfar em 1963, em Narrabeen Beach, Austrália. Já em 70, começou a fazer eventos e seis anos depois estava na IPS. Em 1980 passou a Head Judge e em 84 se tornou o Tour Manager, função que nunca mais parou. Implementou o ranking de resultados e acompanhou o tour. Ele elogia a estrutura atual da WSL, tornando o surf em um esporte profissional, da maneira que merece ser.

“A ASP era uma empresa sem fins lucrativos, mas a WSL é uma empresa comercial. Então, eles estão investindo muito para atingir um nível de qualidade mundial. Tem a melhor webcast do Mundo. Aliás, o surf foi o primeiro esporte que transmitiu os eventos ao vivo através da internet. Não é somente na transmissão que melhorou. O staff também em muito profissional. Antigamente, os escritórios regionais tinham duas pessoas, o head office, cinco. Agora tem 80. E ainda está crescendo”, conta. Diante desse pensamento, a expectativa para o futuro é positiva, sobretudo no que diz respeito à tecnologia, ajudando o atleta, o evento, garantindo maiores performances e até segurança. E o que ele espera? “Mudanças. Sempre teremos novidades em manobras e equipamentos. Mas no momento, a tecnologia é que está fazendo as evoluções mais importantes. Vamos implementar o uso e um relógio da Samsung, que terá todas as informações da bateria, velocidade, notas e tempo. Estamos testando tudo agora”, revela.

“Queremos colocar microfones nos atletas, para poder conversar com eles na água durante as baterias. A E-Gear da Samsung é a maior novidade rolando”, acrescenta Al Hunt, também falando de um tema que dominou as manchetes, os temidos ataques de tubarões, com o caso ocorrido com Mick Fanning, na final do J-Bay. “Repelente de tubarão é outro assunto que estamos vendo. Eles estão sempre na água. É a casa deles”, completa.

Por Fábio Maradei

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