27 de setembro de 2015

No "flow"

Quando uma pessoa está completamente imersa, com o foco totalmente voltado para uma atividade e a faz com prazer, caracteriza-se um estado mental positivo chamado de “Flow”, que traduzido para o português, quer dizer “Fluxo”. Você deve estar pensando, legal, mas o que isso tem a ver com Surf? Li, há pouco tempo, um livro chamado Flow que o autor explora muito a fundo o tal do “fluxo”. Ele considera o “Flow” como a experiência ótima porque nesse estado a atenção do indivíduo está totalmente canalizada à atividade que está fazendo, nada mais parece importar, e a percepção de tempo enquanto realiza tal atividade parece alterada. Durante o flow a pessoa vivencia um estado de alegria e excitação, e ainda por cima acaba desempenhando performances superiores. Já da para imaginar onde quero chegar, né?
Daniks Fischer no "Flow", em Jaws / Foto Arquivo pessoal
No livro, o autor, inúmera diversas atividades que são mais propensas a se atingir o flow, como: atividades artísticas, musicais, esportes, práticas religiosas orientais e até algumas atividades rotineiras. Entretanto, na minha cabeça enquanto lia o livro, eu só conseguia pensar em uma coisa: Surf! Embora não houvesse exemplo ou relato no livro de nenhum surfista, ficou muito claro que é surfando que consigo com mais clareza entrar no tal do estado de “Flow”. Pensem comigo. Quando estamos com a prancha sob nossos pés nos poucos segundos que dura uma onda, no que estamos pensando exatamente? Somente na atividade em questão, ou seja, na onda e como a curtir ao máximo ou encaixar as manobras em sua parede. Sem dúvida alguma, durante esse momento estamos no estado de “flow”.

Mas vou mais longe. Acredito que é possível se atingir esse estado por todo ou quase todo o período que passamos no mar, embora isso aconteça com menos frequência do que gostaríamos. É muito comum sermos atingidos por “problemas da vida” enquanto esperamos as ondas, as vezes somos distraídos por algum amigo que gosta de bater um papo no outside, ou ainda nossa atenção pode ser roubada pelo movimento brusco de algum estressadinho querendo pegar nossa onda. Isso tudo acaba “roubando” o estado de “Flow” que poderíamos vivenciar.

Entretanto, eu me lembro - e tenho certeza que muitos de vocês vão conseguir lembrar também - de seções que o Surf como um todo “Fluiu” quase no automático e que a percepção de tempo ficou bastante alterada. Foram seções inteiras ou parte delas que eu, e provavelmente todos vocês que lembraram dessas seções especiais, estávamos no Flow.

Sabe aquele mar épico que com poucos amigos no outside que você não tinha tempo nem de sentar para esperar onda? E aquele outro meio grande, com a arrebentação difícil de varar, aquele friozinho na barriga e ondas desafiadoras que no final das contas você “dominou” com maestria? Ou ainda aquele dia de merrecas mas que a sintonia com o oceano estava incrível e todas as ondas boas pareciam entrar somente para você?  Flow, flow e flow! No livro, o autor sugere que quanto mais tempo passarmos desempenhando atividades que levem ao “Flow” mais felizes, realizados e bem-sucedidos seremos na vida. Era só o que eu precisava para passar mais tempo ainda no mar!! E você, o que você está esperando? Bora surfar!!

Por Caio Siqueira (www.comsurf.com.br)

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