20 de dezembro de 2014

O primeiro a gente nunca esquece

O título mundial de Medina aponta para um horizonte de mudanças bastante positivas ao surf brasileiro. A cadeia produtiva do surf nacional vai aumentar cada vez mais, isso se dará devido a uma maior aproximação da grande mídia, que atrairá mais simpatizantes e novos adeptos. A economia vai crescer, e a indústria surf se auto sustentará. Aliás, assim tem sido a tônica entre os empresários, que faturam grandes cifras e empregam muitas pessoas como vendedores, representantes, costureiras etc, além, de anunciarem nas mídias diversas, fomentando o lucro às agências de publicidade, fotógrafos, cinegrafistas, jornalistas, webdesigners e até mesmo em campeonatos, quando beneficiam as entidades ao contratarem seus árbitros e comissão técnica.
Daniks em Jaws - Havaí
Ufa, você deve ter pensado, e não é que o surf gera toda uma riqueza interna mesmo! Verdade! Isso é bom e vai crescer, mas nada vai muito adiante se os surfistas profissionais continuarem sem patrocínios, e com cada vez mais menos eventos e menos premiações a serem disputados.
A verdade real é que os surfistas profissionais, que são as estrelas de tudo isso, sequer são reconhecidos como profissionais pelo governo, passamos toda uma juventude competindo, passando riscos, muitas vezes se auto custeando, e não podemos nos aposentar como surfistas profissionais.

O surf na vida de um atleta é passageiro, é rápido, precisamos de aposentadoria precoce, pois é atividade de risco e ligada ao exercício físico. Com a vitória do Gabriel Medina, acredito nesta mobilização e vejo um futuro de aposentadoria ao reconhecerem o surf como um esporte de status profissional. Além disso, visualizo um horizonte de muitas empresas querendo investir em publicidade com imagens de surf (ondas quebrando, pranchas em tetos de carros, etc) e surfistas. Hoje em dia, isso já é frequente, mas vai aumentar e o atleta não vê a cor do dinheiro que deveria lhe remunerar por isso.

Portanto, acredito que esteja próximo o dia em que tudo será organizado ao ponto do atleta ter um piso salarial mínimo, com direito a uma aposentadoria precoce, com todas as suas vantagens trabalhistas, e que o uso indevido de imagens ligadas aos surfistas e tudo que direcione a exploração da categoria tenha um peso de indenização que satisfaça aqueles que acreditam no esporte e fazem dele o seu meio de vida. No mais, Parabéns e obrigado Gabriel!

Daniks Fischer - ex-surfista profissional/ big rider - colunista InnerSport

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