2 de setembro de 2014

Surf se fortalece, ganha espaço e respeito em Santos

Um dia histórico para o surf. Na última terça-feira (26), o esporte ganhou espaço na centenária Associação Comercial de Santos. Com objetivo de fomentar o desenvolvimento do segmento, o evento “Associação Comercial de Santos abre as portas para o surf”, realizado em parceria com a Associação Santos de Surf, reuniu cerca de 100 pessoas, entre empresários, lojistas, shapers, atletas, muitos deles pioneiros com décadas de ondas surfadas, e políticos.
Junto com duas palestras, uma do Sebrae-SP, falando sobre competitividade empresarial, e outra do empresário Chris Wolthers, proprietário da Viking Surfboards, o encontro quis reunir representantes da “indústria” do surf, oferecendo orientação e planejamento para o fortalecimento do mercado. “Essa data vai ficar na história. Estamos plantando uma semente aqui para o fortalecimento de tudo o que envolve o surf”, afirmou o presidente da Associação Comercial de Santos, Roberto Clemente Santini.

Empresários como Paulo Sérgio Nogueira Lopes e Marcelo Kassardjian, da AntiQueda, Mario Moreira e Alípio Azevedo, da Sthill, José Augusto Pereira, da Natural Art, prestigiaram a iniciativa, bem como Rico de Souza, o presidente da Federação Paulista de Surf, Sílvio da Silva, o Publisher Romeu Andreatta, o presidente da Câmara de Santos, Sadao Nakai, o vereador Murilo Barletta, e o secretário municipal de Esportes, Alcídio Mello, o Cidão.

Santini e seu vice, John Wolthers, são surfistas e mostraram grande satisfação no evento. “A ideia é trazer o espírito Aloha para esta casa, que tem 145 anos e por onde já passaram D. Pedro II, a princesa Isabel. É mais uma conquista do surf”, disse. “Queremos criar uma estrutura para que as empresas possam se aprimorar, sair da informalidade e poder gerar mais emprego, mais desenvolvimento”, acrescentou.

Para John, que começou a surfar há 50 anos, o encontro é uma grande vitória. “Um dia memorável. Sou muito grato pelo surf, finalmente, ter entrado na Associação Comercial, que é uma casa do empresário, mas uma casa democrática. E o surf, não é só um esporte, é um segmento que gera muito dinheiro”, argumentou. “Quando começamos a surfar, em 1964, eram 250, 500 surfistas concentrados no eixo Rio São Paulo, única região que tinha acesso ao surf. Hoje somos aproximadamente 2,5 milhões. Imagina o que isso gera, de trabalho, de emprego, de economia positiva?”, complementa John Wolthers.
O presidente da Associação Santos de Surf, Marcos Andrade, idealizador do encontro, também comemorou o resultado. “Tivemos uma adesão muito grande. E esse é o primeiro passo para criarmos uma câmara setorial aqui na Associação Comercial para discutirmos, trabalharmos o surf como negócio que é. Colaborar para que as microempresas cresçam, saiam da informalidade”, destacou Cabeça, como também é conhecido no meio do surf. “Queremos auxiliar o setor no planejamento e elaboração de uma estrutura eficiente e incentivadora para desenvolver o mercado do surf em nossa região”, anunciou Marcos, relembrando a evolução do esporte.

Ele lembrou que ao longo do tempo, o surf passou de uma prática marginalizada a um estilo de vida, que hoje vai muito além dos limites da praia e do mar. “A indústria e o comércio do surf saíram dos quintais e das garagens e ganharam tecnologia, expertise empresarial, alcançando faturamentos antes inimagináveis. Hoje, o mundo inteiro consome surf”, explicou.

O diretor da AntiQueda elogiou o evento e suas diretrizes, comentando que o fortalecimento do segmento gera uma cadeia positiva para o esporte. “Foi importantíssimo, sobretudo o incentivo a que as micro e pequenas empresas saiam da informalidade. Assim a possibilidade de investir em atletas e eventos é maior”, relatou Paulo, lembrando que a AntiQueda está no mercado há 25 anos e hoje já conta com prédio próprio e atua em mais de 900 pontos de venda.

Para Mario Moreira, da Sthill, é fundamental o apoio da Associação Comercial de Santos para esclarecimentos e estruturação do mercado. “Há muito que crescer e com essa colaboração a expectativa é muito boa. Os parabéns à Associação Comercial de Santos e à Associação Santos de Surf com essa preocupação”, disse.

Ainda na ocasião, Carlos Argento, um dos irmãos Twin, foi homenageado, pelo pioneirismo no segmento. Ele e seu irmão, Eduardo, falecido recentemente, tiveram a primeira surf shop da região, a Twin. “Eles foram desbravadores”, elogiou John Wolthers. Aos 63 anos de idade, com 50 de surf, Carlos ficou emocionado com o reconhecimento. “Sinceramente, fico muito agradecido. Tenho certeza que o inicio foi com muito respeito e muita amizade. Por isso estou aqui sendo homenageado. Se não tivesse lutado, deixado de comer para fazer prancha, correr campeonato, viver o nosso estilo de vida, talvez não estivesse aqui”, completou.

Por Fábio Maradei / Fotos Divulgação

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