5 de agosto de 2014

Será o surf uma religião?

Há vários praticantes que encontram no surf uma ligação com a espiritualidade, que resulta do contato íntimo com a natureza, em particular com o mar, de onde toda a vida surgiu. Um artigo do Huffington Post reuniu depoimentos de vários protagonistas para quem o Surf é considerado uma religião, e que descrevem essa relação umbilical com a espiritualidade. Para Kelly Slater, um surfista conhecido por ter essa mística espiritual, descreveu em tempos à CNN o esporte da seguinte forma: “O Surf é a minha religião. O tubo é a derradeira experiência para um surfista. É o ‘olho’ da tempestade. Há quem diga que é o regresso ao ventre”.
Kelly Slater meditando antes da bateria / Foto ASP
Steve Kohler, um escritor/surfista, autor do aclamado livro ‘West of Jesus’, foi um dos primeiros a tocar neste assunto e passá-lo para as páginas da sua obra. “…surfistas acreditam que - tendo em conta que o oceano foi o sítio de onde toda a vida surgiu -, surfar uma onda permite uma ligação com a nossa memória viva”.

O doutor em religião, e conservacionista, Bron Taylor, que estuda a espiritualidade ligada à Terra e ambientalismo, referiu-se ao Surf como “uma religião de natureza aquática”, num artigo do American Academy Religion. “A crescente comunidade global do Surf deve ser entendida como um novo movimento religioso (…) Para estes indivíduos, surfar é uma forma de religião em que a prática é o núcleo sagrado, e as experiências levam a uma crença de que a natureza é poderosa, transformadora e curadora”.
Tom Blake, o lendário surfista que nos deixou em 1994, explicou, provavelmente melhor que ninguém, esta temática. No seu ensaio “The Voice of The Wave”, desenvolveu com precisão a seguinte filosofia: Natureza = Deus.

Christian Mondor, um padre californiano, é o exemplo perfeito da ligação entre a espiritualidade e o Surf. Aos 70 anos comprou uma prancha de surf, sem nunca ter praticado. Hoje, com 80, é conhecido pela comunidade de Huntigton Beach como o Padre Surfista. “O Surf tem um lado espiritual, é uma altura de calma e contemplação. O tempo entre ondas é uma altura perfeita para rezar e ser grato. Entre uma queda e um swell, há muita beleza e pureza nesses momentos. É uma sensação fantástica”, disse.
Foto Bryce Johnson
Uma coisa é certa: independentemente das crenças religiosas de cada um, há inegavelmente no mar, uma paz que permite que sintamos uma conexão espiritual com o mundo que nos rodeia, e que, ao mesmo tempo, nos dá lições de humildade perante algo que é muito maior que nós.

Fonte SurfTotal

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