17 de agosto de 2013

Só deu Medina no Billabong Pro Tahiti

Ele foi o único brasileiro a estrear com vitória nos tubos de Teahupoo e vai enfrentar o havaiano Fredrick Patacchia na penúltima bateria da terceira fase

As ondas subiram um pouco na sexta-feira, o suficiente para Teahupoo mostrar seus tubos perfeitos quebrando na bancada de corais mais perigosa do ASP World Tour. Mais três surfistas ganharam nota 10 no segundo dia do Billabong Pro Tahiti, um deles o havaiano John John Florence na bateria contra o brasileiro Miguel Pupo na terceira fase. Agora, só Gabriel Medina defende o país na etapa que abre a segunda metade da temporada 2013 até o dia 26 no Taiti. Ele disputa com o havaiano Fredrick Patacchia a penúltima vaga para a rodada das duas chances de classificação para as quartas de final neste sábado na Polinésia Francesa.
Gabriel Medina / Foto Steve Robertson
Medina foi escalado na 11.a das doze baterias da terceira fase e na sexta-feira só foi possível realizar até a oitava porque o dia começou com os oito confrontos que faltavam para encerrar a repescagem. Ele foi o único brasileiro que estreou com vitória na quinta-feira e nem competiu no segundo dia de ondas bem melhores, com séries mais constantes de 3-5 pés, principalmente durante a tarde quando Teahupoo parece ter ligado sua máquina de tubos para os duelos da terceira fase.

Eles começaram a aparecer com mais frequência um pouco antes, nos últimos confrontos da repescagem que abriram a sexta-feira. Filipe Toledo e Miguel Pupo pegaram bons tubos na bateria que garantia um segundo brasileiro na terceira fase, mas uma eliminação em 25.o lugar também. Ambos computaram duas notas na casa dos 7 pontos e Pupo conseguiu a vitória na última onda que surfou, virando o placar para 15,30 a 14,97 pontos.
Miguel Pupo / Foto Kirstin Scholtz
Na bateria seguinte começou o show de tubos em Teahupoo. O francês Jeremy Flores já largou com uma nota 9,10 e logo surfou um tubo mais incrível ainda para merecer a segunda nota 10 do Billabong Pro Tahiti 2013. Para fechar a melhor apresentação do campeonato, completou mais um canudo que valeu 9,33 e o recorde de pontos desta sexta etapa do WCT. O americano Brett Simpson também pegou bons tubos e poderia ter vencido cinco das oito baterias da repescagem disputadas na sexta-feira com os 17,10 pontos que totalizou contra Jeremy Flores.

Os tubos não paravam de bombar em Teahupoo e logo na sequência o australiano Kai Otton atingiu 19,06 pontos com notas 9,73 e 9,33. A terceira fase também começou quente, com o sul-africano Jordy Smith ganhando por 17,90 a 17,70 do australiano Nathan Hedge. Jeremy Flores voltou a competir e a pegar um tubaço nota 9,77 para derrotar o americano Damien Hobgood por 17,87 pontos. E teve o duelo australiano encerrado em 18,53 a 17,93 da vitória de Josh Kerr sobre Kieren Perrow.
Kelly Slater / Foto Steve Robertson
Todos chegaram perto da nota 10, mas quem conseguiu mais uma unanimidade dos cinco juízes foi o havaiano John John Florence. Ele já dropou encaixado de grabrail e sumiu dentro do tubo, saindo só depois do spray e ainda completando a onda com duas manobras para arrancar a segunda nota máxima do dia. Não deixou nada para Miguel Pupo e repetiu a vitória conquistada sobre o brasileiro na primeira fase somando 19,10 pontos, segundo maior placar do campeonato. Pupo terminou em 13.o no Taiti e não melhorou sua situação nem no WCT e nem no ranking mundial unificado da ASP, que só computa os resultados dos tops da elite a partir do nono lugar.

Quem também igualou o feito único do australiano Anthony Walsh na quinta-feira foi o defensor do título desta etapa e atual líder do ranking mundial, Mick Fanning. E o australiano precisou mesmo de uma onda perfeita para superar o havaiano Ian Walsh que liderava a bateria por 17,60 pontos, mas levou a virada com os 17,83 que Fanning alcançou com a nota 10. Kelly Slater também teve trabalho para derrotar o outro classificado pelas triagens, Anthony Walsh. No melhor tubo chegou a receber 10 de três juízes, mas a nota 9,77 também foi decisiva para a vitória por 18,97 a 16,23 pontos.
Jeremy Flores (FRA) / Foto Kirstin Scholtz
Com a classificação para a quarta fase, que já garante um mínimo de 4.000 pontos no ranking, Mick Fanning tirou o sul-africano Jordy Smith da briga pela ponta no Taiti. Agora, os únicos concorrentes são Kelly Slater e o atual campeão mundial Joel Parkinson. Taj Burrow, Nat Young e Adriano de Souza, que também tinham chances matemáticas quando começou o Billabong Pro Tahiti, foram eliminados sem vencer nenhuma bateria em Teahupoo este ano.

Parkinson não competiu na sexta-feira e vai fechar a terceira fase neste sábado com o taitiano Alain Riou, que barrou Adriano de Souza na repescagem. Os que já passaram para a quarta fase terão agora duas chances de classificação para as quartas de final. Na primeira os confrontos são formados por três competidores como na rodada inicial e a vitória garante passagem para as quartas de final. Mas, os perdedores têm a repescagem para prosseguir na disputa do título no WCT do Taiti.
John John Florence / Foto Steve Robertson
A primeira batalha pelas vagas entre os oito finalistas será entre Jordy Smith, Jeremy Flores e o australiano Josh Kerr. A segunda também está formada pelo atual campeão do Billabong Pro Tahiti, Mick Fanning, o também nota 10 John John Florence e o australiano Adrian Buchan. Já Kelly Slater e Kai Otton aguardam o terceiro adversário, que sairá do duelo entre os australianos Julian Wilson e Adam Melling que vai abrir o sábado em Teahupoo. E o quarto confronto será completado pelos vencedores das três últimas baterias da terceira fase, que pode ter Gabriel Medina entre eles se o brasileiro derrotar o havaiano Fredrick Patacchia.

Além de Medina que fechou a primeira metade da temporada 2013 do ASP World Tour em 16.o lugar no ranking, Adriano de Souza em sétimo e o estreante Filipe Toledo em 13.o, estão entre os 22 primeiros que são mantidos na elite dos top-34 do WCT para o ano que vem. Com a vitória no ASP Prime US Open of Surfing, Alejo Muniz passou a garantir sua permanência entre os dez indicados pelo ASP World Ranking, assim como o carioca Raoni Monteiro, que por motivos particulares cancelou sua participação no Billabong Pro Tahiti.
Mick Fanning (AUS) / Foto Steve Robertson
O ranking mundial unificado da ASP, que computa os resultados do WCT e das etapas do ASP Prime e ASP Star, está classificando duas novidades para o Brasil em 2014, o potiguar Jadson André e o catarinense Willian Cardoso, que fecha o G-10 do ASP World Ranking no momento. Com isso, sete brasileiros estariam no WCT 2014, um a mais do que os seis deste ano. Do time atual, o único que não está conseguindo vaga em nenhuma das duas listas é o paulista Miguel Pupo, que começou a temporada contundido e não participou das primeiras etapas na Austrália.

Por João Carvalho

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