4 de maio de 2013

Adilton Mariano e Gina Félix vencem na Pororoca

Aconteceu entre os dias 24 e 30 de abril, na pororoca do Rio Araguari, no estado do Amapá, o 13º Campeonato Brasileiro de Surf na Pororoca, e simultaneamente, o 3º Campeonato Brasileiro de Bodyboard Feminino na Pororoca, ambos realizados pela ABRASPO-Associação Brasileira de Surf na Pororoca, entidade que há 15 anos promove e divulga o surf na pororoca, realizado em alguns dos lugares mais remotos do planeta. Durante cinco dias atletas de sete Estados da Federação (RJ, SP, CE, MA, AP, PA e PR) encararam uma superaventura nas caudalosas águas do Rio Araguari, incrustado no coração da selva amazônica, em busca da premiação e dos títulos em disputa.
Paola Simão e Maria Helena na Pororoca do Araguari/ Foto Raimundo Paccó
A ação teve início no primeiro dia de janela do evento com o mapeamento e o reconhecimento das bancadas por parte da comissão técnica e atletas convidados. Neste primeiro dia, como era de se esperar, as ondas ainda estavam fracas, mas todos os atletas conseguiram surfar a onda e principalmente aqueles que nunca haviam tido contato algum com o fenômeno, puderam se familiarizar com as ondas de maré e suas particularidades.

No segundo dia, já com as baterias, estratégias de arbitragem, segurança e ataque definidas, a competição começou com a primeira fase das duas modalidades. Após o diretor de prova, Noélio Sobrinho, autorizar o início da competição, a primeira bateria do evento entrou na água em uma das bancadas situadas na margem esquerda do Rio Araguari. Os primeiros a cair na água, de acordo com o sorteio das baterias, foram os surfistas Stanley Gomes e Josenildo Silva, ambos representantes do estado do Amapá, com o competidor Stanley avançando para a fase seguinte.
Campeão de 2013, Adilton Mariano / Foto Marcelo Freire
Na sequência foi a vez do maranhense Amaury Oliveira enfrentar o cearense Ícaro Lopes em uma bateria marcada por muita disputa e manobras radicais executadas não só na parte mais crítica da onda, como também na bancada mais perigosa do rio, repleta de estacas de bambu que mais pareciam afiadas lanças que obrigavam os atletas a combinar batidas e rasgadas, com manobras evasivas. Melhor para o maranhense que, acostumado a surfar a pororoca de seu estado, conseguiu superar o cearense que mesmo se mostrando muito entrosado com o fenômeno, não conseguiu avançar na competição.

A terceira bateria tinha tudo para ser uma das mais emocionantes da competição, com o duelo entre dois experientes surfistas de pororoca. Contudo, foi definida por W.O. devido a ausência do paranaense Sérgio Laus que não compareceu à bateria. Melhor para Adilton Mariano que não precisou fazer esforço algum para avançar na competição. Na quarta bateria o Campeão Brasileiro de Surf na Pororoca de 2012, Rogério Barros “Pingo”, não teve maiores dificuldades para despachar seu oponente, o francês convidado especial do evento, Franco Piserchia, e seguir firme na busca pelo bicampeonato da modalidade.
Boto Cor de Rosa-Pororoca do Araguari / Foto Raimundo Paccó
Após a apresentação dos homens, foi a vez das meninas do bodyboard entrarem em ação com as cariocas estreantes em pororocas Paola Simão e Maria Helena Tostes abrindo a competição. Apesar de neófitas, as duas competidoras mostraram muita habilidade no fenômeno e protagonizaram uma disputa acirrada para definir quem seria a primeira finalista do 3º Campeonato Brasileiro de Surf na Pororoca. Melhor para Paola Simão, que conseguiu impressionar a arbitragem com suas manobras e assim garantir vaga na final.

Na sequência foi a vez da experiente representante do Pará, Alexandra Ereiro, enfrentar a paulista Gina Félix em busca da segunda vaga para a final. Apesar de já ter mais de uma dezena de viagens à pororoca do Arari no Maranhão e de São Domingos do Capim, no Pará, Xandinha não conseguiu superar os ataques de Gina que mesmo tendo pouquíssima experiência no fenômeno não hesitou em arriscar tudo para avançar à grande final.
Gina Félix, campeã no Bodyboard / Foto Marcelo Freire
No dia seguinte, as semifinais do masculino entraram na água com o maranhense Amaury Oliveira superando o atleta do Amapá, Stanley Gomes, logo na primeira bateria do dia. Contudo, a grande expectativa estava na segunda semi, quando se repetiria a final do ano passado, com Rogério Barros enfrentando Adilton Mariano. Mesmo tentando disfarçar o clima de revanche, Adilton não escondia sua sede de vitória e determinado a superar o trauma da segunda colocação obtida após um erro banal na final do ano passado, Adilton não deu chance para Rogério e garantiu presença em mais uma final.

Feminino - Logo após a definição dos finalistas do masculino as meninas do bodyboard entraram em cena para definir a grande campeã do evento. E depois de uma disputa acirrada Gina Félix, atleta de São Vicente, superou a niteroiense Paola Simão para se consagrar Campeã Brasileira de Bodyboard na Pororoca 2013.
Ícaro, Franco Piserchia e Denis Sarmanho na Pororoca do Rio Araguari / Foto Marcelo Freire
Final masculina - No dia seguinte, todas as atenções estavam voltadas para a única bateria do dia, a grande final entre o cearense ‘fantástico’ e até então Pentacampeão Brasileiro de Surf na Pororoca e seu adversário, Amaury Oliveira. Dessa vez Adilton tratou logo de atacar a onda posicionando-se na parede da direita que começava a abrir na extensa bancada, enquanto que seu perigoso e não menos experiente oponente, o maranhense Amaury Oliveira, aguardou alguns preciosos segundos para saltar no rio, tempo suficiente para Adilton desferir vária rasgadas no lip da onda, praticamente colocando a mão no título. Amaury, posicionado mais na parte interna da onda, travou uma dura luta com a espuma tentando alcançar a face limpa da onda, mais uma vez perdendo um importante tempo na decisão final dos juízes.

E com a experiência acumulada em cinco títulos, Adilton Mariano, já se sentindo com as mãos no título, aproveitou os segundos finais de bateria para mandar mais alguns rasgadões e finalizar sua apresentação com sua marca registrada na pororoca, um 360 reverso, seguido por mais algumas rasgadas e um floater que elevou a sua nota à pontuação máxima sacramentando a vitória que o recolocou no trono e o devolveu o título de Rei da Pororoca com a conquista do Hexa Campeonato Brasileiro.
Maria Helena, Paola Simão, Alexandra Ereiro e Gina Félix na Pororoca do Araguari / Foto Raimundo Paccó
No finalzinho da bateria o maranhense ainda esboçou uma reação, mas ao tentar executar um 360 ficou para trás. Festa cearense no Rio Araguari com Adilton abocanhando o seu sexto título nacional comemorando a vitória com os conterrâneos e amigos presentes e espantando de vez o fantasma que o atormentou durante um longo ano. “Pra mim foi muito difícil ter perdido o título no ano passado por isso já cheguei aqui, no Amapá, determinado a dar o melhor de mim e reconquistar o título. Eu amo surfar a pororoca. Essas águas mágicas já me proporcionaram algumas das maiores alegrias e lições de minha vida e hoje eu estou muito feliz por ter conquistado o Hexacampeonato. Sem falar que hoje é meu aniversário e eu não poderia ter recebido um presente melhor”, declarou Adilton, logo após a entrega da premiação, realizada no Marco Zero da Linha do Equador, na Capital Macapá.

Para Chico Pinheiro, residente no Amapá e grande responsável pelo desenvolvimento dos principais procedimentos de segurança adotados atualmente pela ABRASPO, um dos maiores serviços prestados ao Brasil pelos caçadores de pororoca é justamente o monitoramento contínuo e sistemático de regiões remotas do país como acontece no Rio Araguari. Segundo ele a presença constante dos surfistas e a observação atenta das mudanças da geografia da região, tudo registrado em fotos e vídeos, constituem um rico banco de dados que um dia poderá servir para que cientistas do Brasil e do mundo possam compreender melhor as transformações que a Floresta Amazônica vem sofrendo desde meados da década de 1990, quando tiveram início as incursões à pororoca do Araguari.
Pororoca do Araguari / Foto Raimundo Paccó
“Quando nos embrenhamos no coração da floresta além de estarmos garantindo a soberania do país nestas áreas remotas, podemos perceber claramente as mudanças ambientais ocorridas de um ano para outro, como temos percebido com a abertura artificial de canais entre as ilhas, por exemplo. Isso faz com que os caçadores de pororocas tenham um papel muito mais importante do que é percebido até por eles próprios, pois, um dia todo esse conhecimento será necessário para se tentar compreender como essas mudanças interferem na natureza”, declarou Chico Pinheiro.

Para Roberto Fernandes, Diretor da ABRASPO, não há dúvida quanto ao potencial turístico do fenômeno. A grande questão é quanto tempo ainda irá levar para que a pororoca se consolide como a maior alavanca do turismo para o Estado do Amapá. Contudo, algumas pessoas estão trabalhando incansavelmente para que isso ocorra no menor período de tempo possível. Um destes guerreiros é o Rômulo, da Setur, que não tem medido esforços para garantir que as ações para que o fomento do fenômeno da pororoca entrem na agenda da Secretaria como peça importante na consolidação do projeto de expansão do turismo amapaense. Ele afirma que em no máximo cinco anos a pororoca do Araguari estará recebendo turistas vindos dos quatro cantos do mundo exclusivamente para conhecer de perto suas ondas de maré.
Pororoca do Araguari / Foto Raimundo Paccó 
Segundo Noélio Sobrinho, Presidente da ABRASPO e um dos maiores entusiastas do fenômeno em território nacional, a cada ano o Brasil se consolida como o melhor e mais exótico destino para aventureiros, sejam eles brasileiros ou não, que desejam uma experiência sem precedentes e pra lá de radical em ondas de maré. A maior prova disso foi a recente visita dos profissionais da CCTV, a maior emissora de TV da China, que pela primeira vez na história fez a transmissão do fenômeno Ao Vivo para mais de 2 bilhões de telespectadores na Ásia, um marco para o esporte.

“Apesar da pororoca não ser exclusividade do Brasil, apenas aqui pode-se reunir todas as condições para tornar o fenômeno um produto turístico, pois, há quinze anos nós vimos desenvolvendo técnicas e procedimentos para tornar as incursões cada vez mais seguras. Apenas no Brasil podemos surfar ondas de maré em locais urbanos como no Maranhão e também em áreas remotas como as pororocas do Amapá e do Arquipélago do Marajó, no Pará. É por isso que temos certeza que em breve a pororoca brasileira será reconhecida como um dos destinos mais cobiçados do surf mundial assim como são hoje as ondas da Indonésia, do Havaí e etc.”, concluiu o dirigente.
Pororoca do Rio Araguari 2013 / Foto Marcelo Freire 
Seria impossível falar sobre o crescimento e desenvolvimento da infraestrutura que envolve o fenômeno da pororoca sem citar a importância da Família Capiberibe em todo esse processo. Há quinze anos, quando tudo era apenas um sonho e a ideia de implantar uma cultura de surf na única capital brasileira banhada pelo Rio Amazonas era tida como uma loucura pelos mais céticos, o atual Senador João Alberto Capiberibe, na época Governador do Estado, mostrou-se um grande visionário ao apostar no projeto de Noélio Sobrinho, que prometia transformar o Amapá na Capital Mundial do Surf na Pororoca.  Hoje, quinze anos depois dessa história ter iniciado, a Família Capiberibe continua sendo a maior incentivadora desse sonho que está cada dia mais próximo de se concretizar. E com a luta incansável do Governador Camilo Capiberibe, de sua mãe (e madrinha da pororoca) Janete Capiberibe e de todos que fazem a ABRASPO, em pouco tempo o Estado do Amapá entrará definitivamente no mapa internacional do turismo de aventura e de esportes radicais.

A competição contou com uma grande estrutura formada por 1 Barco Mãe, 1 Barco de Apoio, 4 lanchas voadeiras (2 para a imprensa e 2 para o Corpo de Bombeiros), 3 Jet Skis e 3 Bananas Boats.
Pororoca do Rio Araguari 2013 / Foto-Marcelo Freire
Resultados das baterias:
Brasileiro de Surf
Campeão Adilton Mariano CE
Bodyboard Feminino
Campeã Gina Félix

Por George Noronha

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