5 de dezembro de 2012

Raul Roger vive dilema juvenil entre o estudo e profissão

O skatista paulista Raul Roger, 17 anos, vive um dilema juvenil de conciliar estudo com a profissão. Nos próximos dias 5, 6 e 7 ele tem provas decisivas na escola que farão ou não passar para o 2º ano do ensino médio. Porém, nesta mesma semana ele teria de embarcar para Florianópolis (SC) para participar da última etapa do Circuito Brasileiro de Skate Vertical Amador 2012, que pode consagrá-lo campeão. “Eu ainda não decidi o que vou fazer. Estas serão as provas mais importantes do colégio e também sei que se não participar da final em Floripa perco o título”, conta o atleta, que até o momento soma três vitórias e um segundo lugar no torneio.
Raul Roger / Foto Aleko Stergiou
A quinta e última etapa nacional do vertical amador vale mil pontos para o primeiro colocado, 950 para o segundo e 903 para o terceiro. No ranking geral, Raul é o líder com 3950 pontos, 337 a frente do segundo colocado Carlos Niggli, e 601 de Gabriel Machado. “Se o Raul não participar e o Carlos e Gabriel vencerem, respectivamente, ele ficará com o terceiro lugar do circuito e em nada vai manchar a carreira vitoriosa deste atleta. Porque ele é disparado o melhor do país na categoria vertical”, afirma o vice-presidente da Confederação Brasileira de Skate, Edson Scander.

Enquanto o atleta Raul Roger é reconhecido por patrocinadores e por atletas de renome como Tony Hawk, maior skatista de vertical de todos os tempos, o aluno Raul Roger sente falta do apoio escolar. “Já repeti um ano no colégio por que tive de me ausentar para participar de competições. A direção da escola já me viu em revista, internet e televisão, mas só reconhece o futebol como esporte e acham que skate é uma brincadeira. Isso me prejudica, pois os professores acabam não compensando minhas faltas nem remarcando provas”, desabafa o adolescente.

Estudando em Grajaú, zona sul de São Paulo, Raul sonha em um dia contar com o apoio de todos para seguir com seus planos de cursar Engenharia sem abrir mão das pistas. “Eu quero fazer faculdade e andar de skate ao mesmo tempo. Sou esforçado. Tanto que no primeiro semestre desse ano eu fiz tudo certinho para chegar em julho, que é a época que começam os campeonatos, sem ter que correr atrás de nota. Tenho obtido bons resultados nos testes, mas há certos momentos que fogem do planejamento, como agora”, diz o amador que no ano que vem vai se tornar profissional. “O Raul está com um nível tão elevado no skate que é impossível o manter entre os amadores”, revela o Scander.

Segundo Raul, os colegas de classe são seus maiores incentivadores. “Eles compram revistas, falam que me viram na TV, me assistem em algumas etapas e espalham para toda a escola sobre os meus resultados. Isso é bom, mostra que meu trabalho está sendo feito da maneira que eu quero: com humildade e respeito”.

Por Emanuelle Oliveira

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